13 novembro, 2009

16 outubro, 2009

VII BIENAL INTERNACIONAL DE DANÇA DO CEARÁ – 2009

Poéticas e Políticas: 7ª edição da Bienal discute 
novos modos de criação e existência da cena independente

Que estratégias estéticas, éticas, políticas, econômicas desenvolvem os artistas frente a uma possível nova ordem de organização do campo da dança? Como se situam, agrupam, articulam? De que modos colaboram, criam, circulam, sobrevivem criadores e intérpretes da dança hoje? Por que insistem e como subsistem as companhias independentes? Como ecoam as questões políticas e econômicas na conformação de propostas de trabalho, no formato e nas poéticas das criações artísticas? Da companhia ao projeto autoral, da colaboração individual aos coletivos artísticos, quais são as motivações éticas e estéticas? Para discutir éticas e estéticas, um breve panorama dos trabalhos das companhias e artistas independentes nacionais e internacionais pauta a linha curatorial do festival que lança questões sobre a multiplicidade de estratégias de inserção no campo da dança.
Programação/Fortaleza
Programação/Cabo Verde

01 junho, 2009

Balé baião em fase madura

Crítica
Balé baião em fase madura
Com 15 anos de história, a Cia. Balé Baião, de Itapipoca, celebra sua maturidade criativa em sólidos. A montagem se despede hoje do Centro Dragão do Mar

Joubert Arrais
especial para O POVO
29 Mai 2009 - 01h31min

Uma relação pulsante com a chamada cultura popular, sem negar sua contemporaneidade. Sagrado, profano, lúdico, poético, ritual. Palavras-chave do percurso da Cia. Balé Baião de Dança Contemporânea, de Itapipoca, que faz última apresentação do espetáculo Sólidos, hoje, às 20 horas, encerrando o projeto Quinta com Dança de maio. Neste trabalho, o mais recente, há algo que se sobressai, pois representa a fase madura da companhia cearense (antes, Ballet Baião) e do coreógrafo-diretor Gerson Moreno (ex-Colégio de Dança). As metáforas do corpo vão além da simples analogia figurativa e se organizam, cênica e artisticamente, como um ato estético e político do fazer dança, também fora do palco, no interior do Estado.
A saber, Sólidos é um espetáculo de contato-improvisação. Trata-se de uma técnica corporal vinculada historicamente à dança moderna dos anos 1970 e que tem o coreógrafo norte-americano Steven Paxton como grande expoente. A gênese veio de uma ação política com jovens bailarinos do Oberlin College, em Ohio, que questionavam radicalmente o autoritarismo e as guerras na época. Fora dos EUA, desde os anos 1980, Cristina Turdo (Argentina) e Tica Lemos (Brasil) destacam-se como importantes difusoras na América Latina, com muitos outros adeptos que, não todos, vêm re-elaborando esta técnica, a partir de experiências artísticas, práticas educativas e intercâmbios culturais.
Gerson Moreno parece ser um deles, quando tem o movimento improvisado como base criativa e estética da “sua” companhia. No trabalho que encerra temporada no teatro do Centro Dragão do Mar, eles propõem um diálogo físico e estudo cênico através da troca de peso, do contato-toque, da condução e das quedas/suspensões. Lidam com a inércia, o momento-presente, o desequilíbrio e o inesperado.
O que possibilita uma profunda percepção-ação de si mesmo e do(s) outro(s). Inclusive do público, e não só dos corpos-mentes dos “intérpretes-criadores”: Cacheado Braga, Edileusa Inácio, Glaciel Farias, Gustavo Rodrigo, Roniele de Souza, Vaneila Ramos, Viana Júnior e o próprio Gerson.
Há algo, porém, que não é tão explicitamente assumido nas discussões da companhia sobre identidade e sincretismo. Refiro-me à mestiçagem cultural – ou “pensamento mestiço”, como defende o historiador Serge Gruzinski –, que se sucede nos confrontos históricos entre culturas, no sentido de encontros entre singularidades. Nessa perspectiva, ampliam-se as imagens metafóricas presentes na dramaturgia da cena e dos corpos como resultantes de vivências cotidianas em constante atualização, e não ilustração-decalque ou mistura globalizada. Lembremos. “Itapipoca” tem origem tupi (significa “pedra arrebentada”, “rocha estourada”), foi uma sesmaria portuguesa e é bem conhecida como “a cidade dos três climas” (serra, sertão, mar).
Tudo isso não é mero debut, esclareço. Sólidos é a celebração de quinze anos de uma atuação comprometida com a realidade local. São, na verdade, Bodas de Cristal: Pátria Sertaneja, Etnia, Carne Benta, Rebento, Intimidades, Finitude. Eis uma (talvez, a) resistência transformadora da Região do Vale do Curu. Tem feito muito, também no campo da arte-educação, mas ainda há muito o que contribuir, certamente. Para a (nossa) breve e rica história da dança no Ceará, Nordeste, Brasil. Fiquemos mais atentos.

25 abril, 2009

04 abril, 2009

Companhia finlandesa de dança As2wrists em Itapipoca no Ceará - de 04 a 11 de Abril

Os coreógrafos da Companhia de Dança As2wrists, Minna Tuovinen e Martin Heslop viajarão ao nordeste do Brasil para trabalhar com duas organizações locais que combatem a pobreza, a discriminação e a desigualdade social por meio da dança.
A primeira parte do projeto será no mais pobre e violento bairro da cidade de Fortaleza. Os coreógrafos ministrarão um workshop de 5 dias no Centro Cultural Bom Jardim, de 26 a 31 de março. Esse singular centro cultural, cujo lema é "Semeando arte, colhendo inclusão social" situa-se no coração da Favela. O workshop é destinado a adolescentes daquela área e a professores de dança que trabalham no Centro Cultural Bom Jardim. Será realizada uma mostra do trabalho dos estudantes, criado durante o workshop, aberto ao público no dia 31 de março, assim como a apresentação de uma pequena cena do trabalho atual de Minna Tuovinen e Martin Heslop.

A segunda parte do projeto acontecerá em Itapipoca, outra cidade no estado do Ceará. Ali, os coreógrafos trabalharão intensivamente, durante 8 dias, com a companhia local de dança Ballet Baião, de 4 a 11 de abril, como professores visitantes. Além disso, como o Ballet Baião trabalha com projetos comunitários, trabalhadores de fábricas locais serão envolvidos como parte da experiência. Ao final da visita,em 11 de abril, eles dividirão essa experiência com o público.

Como parte do projeto, a companhia fará um documentário em parceria com o artista local Alexandre Veras, da ONG Alpendre. Veras e a organização Alpendre desenvolvem projetos comunitários e ensinam jovens de grupos de risco. Ele é um renomado cineasta com extensa produção de vídeo-dança e documentários. A argentina Silvina Szperling, pioneira em video-dance na América Latina, será a co-diretora do filme de Alexandre Veras.

Esse projeto é apoiado pelo Ministério das Relações Exteriores da Finlândia.

20 março, 2009

Coletivas do Saber

Neste último sábado, dia 14 de Março, iniciou-se o primeiro encontro de formação da Associação de Artes Cênicas de Itapipoca.
Silvia Moura, bailarina e coreógrafa do CEM - Centro de Experimentação em Movimento, de Fortaleza-Ce, ministrou a primeira aula para professores de dança, arte-educadores e artistas que teve a dança contemporânea como foco.




Em parceria com a Universidade Estadual do Ceará (FACEDI/UECE) e Sindicato dos Servidores Públicos de Itapipoca (SINDSEP) produzimos desde 2007 um curso de formação em arte-educação de 80hs/aula para artistas, professores de arte e lideranças comunitárias do município e região do vale do curu. O curso acontece dentro de uma metodologia participativa e vivencial onde teoria vira prática e prática transborda teoria, possibilitando a partilha e a recriação-reinvenção dos saberes em arte, sob assessoria de profissionais em diversas áreas artísticas, técnicos, pesquisadores e pedagogos. Esse ano o curso acontecerá de forma continuada se propondo ser subsídio de ação e intervenção no cotidiano dos arte-educadores o ano inteiro. Os encontros serão realizados nos segundos sábados de cada mês, iniciando em Março e encerrando em Novembro do corrente ano. Em cada sábado será aprofundado um conteúdo específico conforme as sugestões que foram dadas pelos membros da AARTI em última assembléia de Fevereiro, tais como:

1. Teatro, 2. Dança, 3. Música, 4. Artes visuais, 5. Produção literária, 6. Metodologia de ensino das artes, 7. Dinâmicas de grupos e jogos lúdicos, 8. História da arte, 9. Estética, 10. Sociologia das artes, 11. Cultura Popular Brasileira.

As aulas serão ministradas por professores de arte pertencentes à Associação de Artes Cênicas de Itapipoca e por arte-educadores convidados de Fortaleza. O curso será subdividido em vivências prático-teóricas aos sábados, análises de espetáculos e relatórios de pesquisa de campo no decorrer do mês. No final do curso cada participante entregará um relatório final em forma de portfólio.